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🇩🇪 Alemanha · Baviera

Garmisch-Partenkirchen com criançasO Werdenfelserei nos Alpes da Baviera

A história de uma viagem que começou numa tela de TV há 35 anos

Garmisch-Partenkirchen · janeiro de 2024

A origem da viagem

Não escondo minhas raízes alemãs nem o orgulho que sinto delas. Ao longo dos anos, tive a oportunidade de conhecer cidades como Berlim, Frankfurt e Düsseldorf. Mas havia uma região da Alemanha que sempre despertou minha curiosidade: o sul do país, notadamente diferente, com forte identidade bávara, montanhas, lagos e vilarejos alpinos.

Desde pequeno, eu assistia à Deutsche Welle, o canal internacional alemão. Entre todos os programas, havia um que sempre captava minha atenção: Reiseland Deutschland — algo como "Alemanha, a Terra das Viagens". Um episódio em particular ficou marcado: uma reportagem sobre Garmisch-Partenkirchen, uma pequena cidade alpina cercada pelos Alpes. Daquele dia em diante, aquele lugar virou uma obsessão silenciosa. Passaram-se décadas. Aquela imagem do menino assistindo à TV ficou guardada na memória.

Em janeiro de 2024, quando planejamos nossa viagem à Baviera com Vicente (7 anos) e Mathias (2 anos e meio), a resposta foi óbvia. Saímos de Munique com o carro alugado e, pouco mais de uma hora depois, chegávamos a Garmisch-Partenkirchen. As crianças chegaram fresquinhas, prontas para explorar. Füssen e o Neuschwanstein viriam depois — mas aquele era o destino que eu esperava há décadas.

Ficamos 3 noites no Werdenfelserei, um pequeno hotel boutique que se tornaria, sem exagero, um dos lugares mais especiais que já visitamos em família. Poucas vezes uma expectativa construída ao longo de tantos anos encontra a realidade e ainda assim consegue surpreender. Garmisch fez exatamente isso.

Onde fica e como chegar

Garmisch-Partenkirchen está localizada no extremo sul da Baviera, praticamente aos pés dos Alpes e muito próxima da fronteira com a Áustria. A cidade fica a cerca de 90 quilômetros de Munique, o que a torna uma excelente opção tanto para um bate-volta quanto para uma estadia de alguns dias.

Nós optamos por alugar um carro. Além da praticidade, existe outro motivo: dificilmente perdemos uma oportunidade de dirigir pela famosa Autobahn alemã. A viagem dura pouco mais de uma hora e faz parte do passeio. À medida que se avança para o sul da Baviera, os Alpes começam a surgir no horizonte e a paisagem vai mudando gradualmente. É um daqueles trajetos em que você percebe claramente que está deixando para trás a Alemanha urbana e se aproximando de uma região com identidade própria.

Também é perfeitamente possível chegar de trem. As conexões a partir de Munique são frequentes e eficientes, como se espera da Alemanha. Mas, para nós, poucas coisas combinam tanto com uma viagem pela Baviera quanto um carro alugado, uma boa estrada e os Alpes aparecendo lentamente à frente.

Por que elegemos o Werdenfelserei

Quando começamos a pesquisar hotéis em Garmisch, o Werdenfelserei aparecia em vários reviews com recomendações entusiasmadas. Mas não era só isso. Havia algo no conceito do hotel — um boutique alpino, não uma rede genérica — que fazia sentido com o que queríamos vivenciar. Um lugar que resumisse a essência dos Alpes bávaros, não apenas um local onde dormir.

O hotel que conquistou a família

Primeira impressão

Chegamos ao Werdenfelserei num dia frio de janeiro. Logo na porta, a sensação foi imediata: caramba, aqui é contigo.

O quarto era amplo, bastante confortável, simples, nada demais, mas funcional — como tudo na Alemanha. Tinha uma cama beliche (as crianças amaram), uma varanda agradável com vista direta para os Alpes, máquina de café no quarto, e tudo absolutamente impecável. Via-se que cada detalhe tinha sido cuidado e preparado para a chegada do hóspede.

Vicente e Mathias entraram e imediatamente começaram a explorar. A varanda os conquistou — mesmo com o frio, ficaram ali olhando as montanhas cobertas de neve.

A piscina aquecida: o momento que marcou

Mas o momento em que realmente percebi que o hotel era diferente foi quando explorei o spa.

Vários tipos de sauna, áreas de relaxamento, salas com caixas de som para quem quer fazer yoga. Tudo muito bem estruturado. Mas o destaque é a piscina aquecida. Não é uma piscina comum. O sistema de aquecimento é muito eficiente — você aperta um botão, uma porta de vidro abre, e você sai da água interna direto para a parte externa, sem sair da água. Seu tronco fica para fora da piscina enquanto você aprecia os Alpes. E aqui está o melhor: lá fora a temperatura está negativa, mas a água continua a 32 graus. É aquele contraste que marca.

Piscina aquecida do Werdenfelserei com vista para os Alpes
Piscina aquecida do Werdenfelserei com vista para os Alpes

Depois de um dia explorando a região, era impossível não terminar a tarde por ali. A experiência era única: estar cercado pelos Alpes, em pleno inverno, em água aquecida, completamente confortável.

Café da manhã memorável

Poucas vezes encontramos um café da manhã tão gostoso e aconchegante. Tudo transmitia a sensação de cuidado com os detalhes. Em vez de uma seleção genérica encontrada em grandes redes hoteleiras (coisa que a gente não gosta), havia uma clara valorização de produtos regionais, ingredientes locais e pequenos produtores da Baviera.

Pães frescos, queijos, embutidos, geleias, frutas, bolos e especialidades da região compunham um buffet extremamente farto, daqueles que fazem você querer chegar cedo e permanecer sem pressa. Era a comida que te faz lembrar por anos depois. Vira e mexe comento aqui em casa: "Caramba, aquele café da manhã..." e bate aquela vontade de voltar só por causa dele.

O hotel como experiência completa

O Werdenfelserei não era apenas um hotel onde dormíamos. Era parte integral da experiência. Cada detalhe — a madeira, o aquecimento eficiente, a piscina aquecida, o café da manhã, a sensação de estar em um refúgio alpino — tudo funcionava junto para criar algo especial.

Experiência com crianças

Mathias tinha 2 anos e meio. Vicente tinha 7. Muita gente acha que viajar para a Europa com uma criança tão pequena é complicado, que falta infraestrutura, que não vale a pena. Nossa experiência em Garmisch provou o oposto.

Não fizemos nada especial. Não deixamos as crianças em creche do hotel. Não acordávamos mais cedo para evitar multidões. Tudo acontecia naturalmente. Mathias ia no colo quando era preciso, Vicente explorava com mais liberdade. Isso era tudo que precisávamos.

Família pronta para explorar Garmisch
Família pronta para explorar Garmisch

O quarto amplo com a beliche conquistou as crianças imediatamente e logo se aventuraram na escada para alcançarem a cama de cima. Depois, a piscina aquecida conquistou todo mundo. Caminhar pela cidade era seguro e agradável. Subir no Zugspitze foi uma aventura — bondinhos eficientes e vistas espetaculares.

Quando chegamos em casa e revisamos as fotos, as crianças começaram a pedir para voltar. Vicente, o mais velho, até hoje menciona: "Caramba, que hotel irado! Eu quero muito voltar lá."

Quando uma criança se lembra de um hotel anos depois, quando vê uma foto, e pede espontaneamente para voltar — você sabe que acertou.

O que fizemos na cidade e arredores

Caminhar pela cidade

A cidade é muito pequena. Você consegue atingir todo o perímetro em pouco tempo, muito rápido. Tem vários restaurantes com comidas locais, cafés muito bons para tomar um chocolate quente. É muito fácil de caminhar, muito bem sinalizado.

Levamos o carrinho de bebê, e foi perfeito. Mathias dormia, Vicente explorava ao lado. Não havia nada complicado. Você caminha, vê os Alpes, entra em um café, segue adiante.

Zugspitze: a experiência imperdível

Se existe uma experiência verdadeiramente imperdível na região, ela é a subida à Zugspitze, a montanha mais alta da Alemanha.

Subimos de bondinho. Mathias acordado, Vicente também. Saímos do hotel de manhã cedo, tomamos café lá, e subimos. A subida é rápida — não demora muito tempo, mas o trajeto oferece vistas espetaculares dos Alpes à medida que você sobe.

No topo, tem dois restaurantes muito legais. Almoçamos por lá. A comida era boa, as vistas eram ainda melhores. Passamos algumas horas explorando, e depois descemos à tarde.

Mas o momento que realmente marcou foi quando Vicente descobriu a passarela que atravessa a fronteira. Você consegue ir de um país para outro em poucos metros de distância. Para uma criança, isso é quase mágico — não é um conceito abstrato de "país", é algo que você caminha literalmente. Vicente ficou encantado com isso.

Vicente no topo da Zugspitze, 2.962m
Vicente no topo da Zugspitze, 2.962m

Tem um mirante muito bonito lá em cima, com vistas que você não esquece. Nós tiramos várias fotos.

Vale a pena com crianças?

Sim. Mas antes preciso explicar a nossa visão.

Nossa filosofia é expor os meninos ao máximo de diversidade possível no mundo. Já fomos para Bolívia, Peru, Marrocos — lugares que à primeira vista as pessoas dizem "não, não faz sentido levar criança para lá". Viagem com crianças remete à Disney, para Beto Carreiro, para Beach Park em Fortaleza. Mas para nós, o propósito é sempre o mesmo: mostrar para eles a diversidade do mundo, as diferentes formas de vida.

No Peru, eles ficaram maravilhados com a altitude — como as pessoas conseguem viver num lugar tão alto? Em La Paz, mesma questão. E em Marrocos, foi outra realidade completamente diferente.

Viajar para Baviera foi mostrar um lugar diferente dentro do mesmo país que já conhecíamos. Já tínhamos ido para Frankfurt, para Düsseldorf. Mas o sul da Alemanha — os Alpes, a cultura bávara, a atmosfera alpina — era outra Alemanha. E era um sonho de criança meu, então tinha essa camada pessoal também.

Resultado: Vicente não esquece. Quando vê as fotos, pede para voltar. Isso é o sinal de que valeu a pena.

Quanto tempo ficar?

Três noites. Penso que é um tempo bem razoável — três a quatro noites são suficientes.

Por quê? Porque você consegue aproveitar a cidade, o hotel, a experiência da Zugspitze, mas também deixa espaço para outras cidades legais que ficam a uma hora de carro dali. Füssen e o Neuschwanstein, por exemplo, ficam pertinho.

Se ficasse mais de 4 noites, começaria a ficar repetitivo com crianças pequenas. Se ficasse menos de 3, não aproveitava direito. Três noites é o período bem ideal.

Voltaria?

Com certeza.

Agora, anos depois, Vicente tem 9 anos e Mathias tem 4. Estão mais velhos, conseguem aproveitar mais. E quando veem as fotos de Garmisch, o pedido é sempre o mesmo: "Quando a gente volta para aquele hotel na Alemanha?"

Por que voltaríamos? Para curtir mais o hotel. E, provavelmente, para esquiar agora com eles mais velhos. O Werdenfelserei tem coisas que você não esgota em 3 noites. A piscina aquecida, o café da manhã extraordinário, a sensação de estar em um refúgio alpino enquanto lá fora faz frio de verdade.

Com as crianças mais velhas, temos uma razão ainda melhor para voltar: esquiar. Na primeira viagem, Mathias era muito pequeno — nem 3 anos. Mas agora ambos conseguem aproveitar as pistas. A região é farta em pistas e escolas de esqui que não deixam nada a desejar em relação a outras estações famosas da Europa. Garmisch é um destino de esqui sério, não apenas um passeio casual.

Garmisch-Partenkirchen correspondeu às expectativas que eu carregava desde criança e na verdade conseguiu nos surpreender. Virou um lugar que voltamos a visitar através das fotos. Um lugar que as crianças pedem para voltar. E tenho certeza de que ainda voltaremos.

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