Bolívia · Abril 2024

La Paz com crianças: a capital mais alta do mundo

Altitude, estratégia de aclimatação e por que vale a pena desafiar os 3.640 metros em família

Destino La Paz, Bolívia
Quando Abril 2024
Crianças 9 e 4 anos
Estadias 3 noites

Nós fomos para a Bolívia com um objetivo claro: conhecer várias cidades do país. Começamos em Santa Cruz de la Sierra, no nível do mar, depois Sucre a 2.800 metros de altitude, e finalizamos em La Paz. Essa progressão não foi acaso. Foi uma estratégia deliberada — e funcionou.

Sticker da Bolívia na mala Rimowa
Mais um destino marcado na mala.

Estratégia de aclimatação: por que começar no nível do mar

La Paz é a capital administrativa mais alta do mundo, localizada a 3.640 metros acima do nível do mar. O aeroporto de El Alto fica a 4.150 metros. Quando você sai do avião — especialmente vindo do Brasil — o corpo sente imediatamente. Nós adultos sentimos uma leve tontura, aquela sensação de que o ar não vem quando você puxa. Passa rápido, mas é real.

Por isso, começamos em Santa Cruz. Nível do mar, zero problema de altitude. Depois fomos para Sucre, a 2.800 metros — uma altitude intermediária, perfeita para o corpo começar a se adaptar. Quando chegamos em La Paz, os meninos já estavam acostumados a respirar ar mais rarefeito. Resultado: nenhum caso de soroche severo. Apenas incômodos leves que passaram rápido.

Dica importante

Usamos o mesmo modus operandi antes de Cusco, no Peru, e funcionou perfeitamente. Se você vai a La Paz com crianças, considere seriamente essa estratégia. Santa Cruz → Sucre → La Paz. Não é apenas conforto — é segurança.

Chegada a La Paz: o choque visual

Chegamos à noite, vindo de Cobija com conexão. Mesmo aclimatados, o corpo sentiu El Alto. Mas o que realmente impactou foi a visão da cidade ao descermos do aeroporto: La Paz aparece de forma única, vertical, entranhada nas montanhas. É como se a cidade estivesse dentro de um cânion gigante, com casas e edifícios trepando pelas encostas em várias cores e estilos. Para as crianças, foi um impacto visual inesquecível logo de cara.

Coordenamos o transfer com o hotel com antecedência. Isso é importante — muitos hotéis em La Paz oferecem transporte do aeroporto. Não deixe para combinar na hora. Faça contato prévio, informe o horário de chegada, e tenha um motorista esperando. Essa praticidade fez toda a diferença chegando com as crianças à noite.

Documentação importante: febre amarela

A vacinação contra febre amarela é fortemente recomendada para a Bolívia. Nós todos nos vacinamos — adultos e crianças — sem nenhuma reação ou problema.

Leve impresso

Levamos o certificado ANVISA impresso em português e em inglês. Ninguém pediu em momento algum — mas é melhor ter. Uma dica que aprendemos viajando: leve sempre uma pasta com documentações impressas. Hoje vivemos com tudo no celular, mas não é a realidade em muitos países.

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Onde ficamos

Casa Grande Hotel

Zona Sur · Calacoto · La Paz, Bolívia

Se tem um aspecto da nossa viagem a La Paz que não gerou nenhuma dúvida, foi a escolha do hotel. O Casa Grande Hotel foi, sem exagero, um dos pontos altos de toda a viagem à Bolívia.

Zona Sur exclusiva
Altitude levemente menor (~3.300m)
Área infantil completa
Piscina aquecida + jacuzzi
Café da manhã memorável
Átrio de vidro + jardins internos
Restaurante próprio
Bar rooftop com vista panorâmica

O hotel que conquistou a família

Localização privilegiada

A Zona Sur é o bairro mais nobre de La Paz. Restaurantes, cafés, opções de lazer — tudo a pé, em uma região segura e bem organizada. E há um detalhe técnico que faz diferença real: a Zona Sur fica a uma altitude ligeiramente menor que o centro de La Paz — em torno de 3.300 metros. Para uma família com crianças que acabou de chegar, isso não é detalhe. É conforto e segurança.

Estrutura para crianças

A área infantil foi uma surpresa muito positiva. Trepa-trepa moderno, campinho de futebol, casinhas para brincar. Vicente e Mathias adoraram e passaram horas ali. Para os pais, isso significa algo simples mas valioso: descanso. Depois de dias de turismo em altitude, poder sentar enquanto os filhos brincam com segurança é impagável.

Área infantil do Casa Grande Hotel La Paz
Área infantil do Casa Grande Hotel — aprovada pelos meninos.

Piscina aquecida e spa

A piscina aquecida é um diferencial real em La Paz, onde as temperaturas caem bastante à noite. Poder mergulhar em água quente depois de um dia intenso de turismo em altitude é puro luxo. A jacuzzi completou o pacote. Passamos boas horas lá — crianças e adultos juntos.

Café da manhã memorável

O café da manhã é um capítulo à parte. Não é aquele buffet genérico de rede hoteleira — é algo pensado com cuidado, com produtos locais, variedade genuína, muito diferente do que estamos acostumados no Brasil. As crianças comiam bem, nós aproveitávamos sem pressa. Esse tipo de café da manhã faz você querer acordar cedo e ficar até não aguentar mais.

Design e atmosfera

O hotel tem uma arquitetura contemporânea impressionante — um átrio central com cúpula de vidro que inunda os ambientes de luz natural, jardins internos, corredores amplos. É um hotel que você se orgulha de estar. Sofisticado, com personalidade boliviana, e completamente confortável. Para quem vai a La Paz, o Casa Grande não é apenas uma opção de hospedagem. É parte da experiência.

Booking.com — Integração em andamento. Link disponível em breve.

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O teleférico: a experiência imperdível

La Paz tem o maior sistema de teleférico urbano do mundo. Não é uma atração turística criada para visitantes — é transporte público de verdade. Mas como experiência, é absolutamente imperdível.

O sistema tem várias linhas identificadas por cores. A Linha Vermelha é a principal, conectando La Paz a El Alto. Subimos até as estações mais altas. À medida que você sobe, a cidade fica menor, os edifícios coloridos aparecem com toda força, e você compreende a topografia única de La Paz — um cânion cercado por montanhas, com casas em todos os ângulos possíveis.

André e Vicente no teleférico de La Paz
No teleférico com La Paz ao fundo — a cidade vertical que conquista.
Aline e Mathias no teleférico Vicente e Mathias no teleférico de La Paz

Vicente ficou completamente hipnotizado. Passamos horas explorando as linhas, descendo e subindo, mudando de cor. Mathias também estava lá, vivenciando do seu jeito. O teleférico não é apenas um passeio — é uma forma única de compreender como La Paz funciona.

Uma coisa nos surpreendeu muito: como o sistema transformou a vida da população local. Pessoas que moram nas partes mais altas e trabalham nas mais baixas usam o teleférico diariamente. Antes, esse trajeto podia durar uma hora ou mais. Hoje são 10 minutos. Ver essa funcionalidade, explicar para as crianças o impacto social de uma infraestrutura bem pensada — isso é educação que não se encontra em sala de aula.

Mapa de rotas do teleférico de La Paz
Estudando as rotas do teleférico antes de embarcar — são várias linhas por cores.

Como exploramos a cidade

Nosso estilo de viagem não é roteirizado. Privilegiamos calçar um tênis confortável e sair andando pela cidade, desbravando, sem muito destino certo — abrindo o mapa apenas para ter uma noção geral de onde estamos.

Fizemos isso em La Paz também. Mas a altitude impõe um limite real: caminhar longas distâncias em 3.640 metros é diferente de caminhar ao nível do mar. O corpo cansa mais rápido, a respiração fica mais pesada. Então usamos bastante táxi para nos locomover entre pontos mais distantes, enquanto explorávamos a pé dentro de cada área. A combinação de teleférico + táxi + caminhadas curtas funcionou muito bem com as crianças.

Dinheiro, câmbio e roaming

Câmbio: Levamos aproximadamente 800 dólares americanos, que trocamos por bolivianos — saíram uns 5 mil bolivianos. O real já é mais valorizado que o boliviano; o dólar, mais ainda. Foi suficiente para todo o período porque os hotéis já tinham sido pagos com cartão de crédito previamente.

Cartão de crédito: Funciona muito bem na maioria dos lugares em La Paz. Sempre que possível, pagávamos com cartão para guardar o dinheiro em espécie para locais que só aceitam cash.

Roaming: Temos plano Vivo Travel com a operadora Vivo. Ativamos o Vivo Mundo antes da viagem e não tivemos nenhum problema de conexão. Nos hotéis, usávamos o WiFi. Mas ter dados móveis foi essencial — sobretudo nos momentos de navegação e segurança. Se você não tem um plano similar, considere comprar chip local ao chegar.

Cuidado com transporte: uma experiência que não queremos repetir

Preciso falar sobre isso porque pode ajudar quem vai a La Paz.

Na nossa última manhã, na ida para o aeroporto, cometemos um erro. O hotel oferecia transfer — pagamos na chegada, o serviço foi impecável. Na saída, achamos que estava caro e decidimos buscar alternativa. Primeiro tentamos um taxista local na porta do hotel. Combinamos horário, trocamos número de WhatsApp. Quando chegou perto da hora, ele avisou que não poderia ir — claramente havia se arrependido do preço combinado.

Atenção: relato real

Sem opção, pedimos um carro pelo aplicativo iDrive. Entramos no carro com as malas, com as duas crianças, com o horário do voo apertado. Duas quadras depois, o motorista disse que havia aceitado a corrida sem perceber que era para o aeroporto. Tentou renegociar o preço ali, na hora, com a gente dentro do carro. A situação ficou tensa. Estávamos vulneráveis: dois adultos, duas crianças, malas e horário apertado. Ele fez um trajeto incomum por ruas que não conhecíamos e ficamos com medo real por alguns minutos. No fim chegamos, mas foi desnecessário. Aprendizado: pague o transfer do hotel. Sem exceção.

Vale a pena com crianças?

Sim. Mas isso depende da sua filosofia de viagem.

Nossa visão é expor os meninos ao máximo de diversidade do mundo. Já fomos para Bolívia, Peru, Marrocos — lugares que à primeira vista as pessoas dizem "não faz sentido levar criança lá". Também vamos para Disney, Beto Carreiro, Beach Park. Porque o propósito é sempre o mesmo: mostrar para eles as diferentes formas de vida.

La Paz foi mais um capítulo nessa filosofia. O teleférico, a cidade vertical, a altitude, as pessoas — tudo isso é aprendizado real. E crianças absorvem muito mais do que os adultos imaginam.

Dito isso, La Paz não é o destino mais fácil com crianças pequenas. A altitude exige cuidado, as caminhadas longas cansam mais que o normal, e o caos urbano em algumas áreas pede atenção. Mas com preparação e uma boa base de hospedagem — e aqui o Casa Grande faz toda a diferença — a experiência é totalmente viável e muito recompensadora.

Quanto tempo ficar

Três noites foi suficiente para o que queríamos. Você consegue descansar da chegada, explorar o teleférico com calma, caminhar pelos bairros, e ainda ter tempo de relaxar no hotel. Quatro noites daria um ritmo mais folgado. Mais do que isso pode começar a ficar repetitivo.

Voltaria?

Não. E isso não é uma crítica — é só honestidade.

La Paz é uma experiência incrível. As crianças ficaram maravilhadas com o teleférico, gostaram muito da viagem, foi tudo muito bacana. Mas é um lugar que a gente já conheceu. Para nós, o mundo é grande demais para repetir cidades quando ainda há tantas para explorar.

Dito isso: se você vai à Bolívia, não faz sentido não conhecer La Paz. É a capital, é a maior altitude, é a experiência mais marcante do país. Chegue preparado para a altitude, escolha bem o hotel, use o teleférico, e aproveite. Vale cada metro dos 3.640.

Booking.com — Integração em andamento. Link disponível em breve.