Marrocos · Fevereiro 2025

Marrakech com crianças: nosso primeiro país africano

Dois universos separados por uma porta. A Medina, o Riad al Rimal e tudo que ninguém te conta sobre levar filhos para o Marrocos

Destino Marrakech, Marrocos
Quando Fevereiro 2025
Crianças 9 e 4 anos
Estadias 2 noites na Medina

O Marrocos não estava no nosso radar naquele momento. Tínhamos uma passagem para Madrid que precisava ser usada, mas sentíamos que estava na hora de desbravar novas culturas, novos continentes. Com apenas 8 dias de viagem, não dava para ir muito longe da Espanha. Foi então que surgiu o Marrocos. Mas será que era um destino tranquilo para crianças? Resolvemos arriscar e acertamos em cheio.

Passamos dois dias em Madrid para descansar do voo transcontinental, e valeu muito. Cada vez que pisamos na capital espanhola ela parece estar melhor: mais convidativa, mais restaurantes novos, mais opções culturais. De lá partimos para Marrakech.

Infelizmente as opções de voo eram bastante limitadas, sobretudo em relação aos horários. Poucos voos diretos. Escolhemos um da Ryanair que mais se adequava às nossas necessidades e deu tudo certo. Voo curto, rápido, sem problemas.

Era fevereiro de 2025. Vicente tinha 9 anos, Mathias tinha 4. E era o nosso primeiro país africano. O nosso primeiro país muçulmano.

Família chegando no Aeroporto Menara de Marrakech
Chegada ao Aeroporto Menara de Marrakech.

A primeira impressão

Marrakech é caótica. Esse é o termo certo. Muito trânsito, muito barulho, buzinas de moto, carros, gente — tudo ao mesmo tempo. Não é uma cidade que te recebe com gentileza logo de cara. Ela te desafia.

Quando você entra na Medina, as ruas viram vielas. Apertadas, labirínticas, sem lógica aparente. E por essas vielas circulam motos. Você tem que encostar na parede para deixar passar. Com crianças pequenas, isso exige atenção constante.

Mathias nas vielas da Medina de Marrakech
As vielas da Medina — estreitas, labirínticas e cheias de vida.
Google Maps não funciona bem na Medina

O GPS perde a referência dentro das vielas. Na primeira vez, peça para alguém do hotel te buscar no ponto onde o táxi ou Uber te deixar. Depois de duas ou três saídas, você começa a se localizar naturalmente.

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Onde ficamos

Riad al Rimal

Medina · Marrakech, Marrocos

A escolha do Riad al Rimal foi uma das melhores decisões da viagem. Não é apenas um hotel — é uma experiência em si mesma.

Localização privilegiada na Medina
Piscina central no pátio
Staff extremamente gentil
Dois quartos conectados
Duas camas de casal
Café da manhã memorável
Silêncio total nos quartos
Decoração típica autêntica

O Riad: dois universos separados por uma porta

O táxi nos deixou na entrada da Medina. De lá, um funcionário do Riad veio ao nosso encontro com um carrinho para as malas. São cinco, dez minutos no máximo pelas vielas até chegar — mas na primeira vez, sem conhecer o caminho, seria impossível sem ajuda.

Quando a porta do Riad se abre, você entende imediatamente por que a escolha foi certa. Do lado de fora: calor, barulho, motos passando, cheiros fortes, o caos organizado da Medina. Do lado de dentro: silêncio. Frescor. Paz. É literalmente entrar em dois universos diferentes.

O ambiente é lindo e genuinamente marroquino, sem perder o conforto. Os quartos são extremamente confortáveis, bem cuidados e silenciosos. Depois de dias intensos na Medina, dormir bem não é garantido em qualquer lugar. O Riad al Rimal resolve isso.

Mathias na recepção do Riad al Rimal Piscina central do Riad al Rimal

O café da manhã

Merece um destaque à parte. Muitas opções, produtos frescos, comida muito saborosa — com opções típicas marroquinas e ocidentais. É daqueles cafés da manhã que viram um momento especial do dia, não apenas uma refeição. As crianças comeram muito bem.

O staff: o grande diferencial

A equipe do Riad al Rimal é simpática, atenciosa e genuinamente gentil desde a chegada até a partida. Tivemos uma situação que revelou muito do caráter do lugar: precisávamos levar todas as malas até a van do transfer, que estava parada próxima à Mesquita Koutoubia. O Sr. Samad e a equipe não hesitaram — foram conosco pelas vielas carregando toda a bagagem com boa vontade e um sorriso no rosto. Um cuidado que faz toda a diferença quando você está viajando com crianças.

Um riad que combina localização privilegiada, conforto real, hospitalidade verdadeira e atenção aos detalhes. Voltaríamos sem dúvida.

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A Jemaa el-Fna: prepare-se

A Jemaa el-Fna é a praça central de Marrakech e um capítulo à parte. Comida de rua, vendedores, cerâmicas, músicos, acrobatas — e as cobras. As najas. As crianças ficaram encantadas. Mas há um aviso importante.

Família com cobra naja na Jemaa el-Fna
Jemaa el-Fna — a cobra foi até nós, não o contrário.
Atenção na Jemaa el-Fna

Os encantadores de cobra te abordam. Colocam a cobra na sua mão sem pedir e depois cobram valores absurdos. No nosso caso, foram 20 euros por uma foto. Não soubemos negociar na hora e acabamos pagando. Se não quiser pagar, não deixe ninguém colocar o animal em você.

Vicente segurando cobra na Jemaa el-Fna
Vicente com a cobra na mão — encantado e corajoso.

Os souks: experiência obrigatória

Os souks são dezenas de mercados temáticos, cada um especializado em algo: couro, tapetes, sapatos, cerâmicas, especiarias, roupas. Você entra num labirinto e sai com coisas que não planejava comprar. É uma das experiências mais marcantes de Marrakech.

Uma coisa importante para quem vai aos souks: a negociação de preço é absolutamente comum e faz parte da cultura local. Não se sinta acanhado de pedir um abatimento, de fazer uma contraproposta, de negociar. Faz parte do jogo — e os vendedores esperam isso. Entrar num souk sem negociar é deixar dinheiro na mesa.

Corredor do souk de Marrakech
Os souks — um labirinto de cores, cheiros e produtos artesanais.
Mathias no souk de babouches Aline comprando cerâmicas no souk

Compramos cerâmicas pintadas à mão por artesãos do interior do Marrocos. Estão na nossa sala hoje. Aline comprou bolsas e sapatos de couro. Mathias quis uma roupa típica marroquina e pediu para comprar.

Mathias com roupa típica marroquina Mathias andando pelos souks
Souks com crianças pequenas

É cansativo. O calor, a multidão, as vielas sem fim — crianças saturam antes dos adultos. A dica é fazer os souks em duas sessões curtas em vez de uma maratona. E sempre ter uma rota de volta ao Riad.

Palácio da Bahia

Impressionantemente bonito. Arquitetura marroquina no seu melhor — azulejos, madeira entalhada, pátios internos, detalhes em cada centímetro. Vale a visita. Com crianças, passeios contemplativos têm suas limitações, mas a nossa filosofia é sempre ir, sempre mostrar. O Palácio da Bahia não decepciona.

Vicente no Palácio da Bahia Mathias na janela do Palácio da Bahia
Porta ornamentada do Palácio da Bahia
As portas do Palácio da Bahia — cada detalhe é uma obra à parte.

A Mesquita Koutoubia

O símbolo de Marrakech. O minarete mais alto da cidade, iluminado ao entardecer com aquele tom dourado que não se esquece. Não dá para entrar — é uma mesquita ativa, fechada para não muçulmanos. Mas contemplar de fora ao pôr do sol já justifica a parada. E foi também o ponto de encontro com a van do transfer para o Agafay — uma das últimas memórias da Medina nessa viagem.

Mesquita Koutoubia ao pôr do sol em Marrakech
A Koutoubia ao entardecer — o símbolo de Marrakech.

Comida em Marrakech

Comemos muito bem nos arredores do Riad e da Jemaa el-Fna. Vários cafés com sanduíches muito bons, comida local saborosa. Para famílias com crianças mais seletivas, há sempre opções. Mathias não come carne de nenhum tipo e foi bem atendido. Quando necessário, caprichávamos no café da manhã do Riad e levávamos petiscos.

Segurança

Nenhum problema. Andamos por tudo, inclusive à noite. A Medina pode parecer intimidante na primeira vez, mas é segura. O episódio mais desconfortável foi o da cobra na Jemaa el-Fna — mais uma questão de cobrança agressiva do que perigo real.

Vale a pena com crianças?

Muito. Marrakech é um choque cultural no melhor sentido. Primeiro país africano, primeiro país muçulmano — para nós e para as crianças. As vestimentas, a arquitetura, a língua, os cheiros, os sons, a religião — tudo é diferente, tudo é novidade. Mathias quis comprar uma roupa típica marroquina. Vicente ficou fascinado com as cobras e o Palácio. Essas são as sementes que uma viagem planta.

Quanto tempo ficar na Medina

Duas noites foi pouco. O ideal é no mínimo três noites. Com três noites, você explora os souks com calma, faz o Palácio da Bahia, a Jemaa el-Fna e ainda tem tempo de descanso no Riad. Nós voltamos à Medina depois — já estávamos no resort — só para aproveitar o que não tínhamos visitado.

Voltaria?

Sim. Voltamos até durante a mesma viagem. A Medina tem essa característica — você sai, sente falta e quer voltar. Marrakech não é uma cidade fácil, mas é uma cidade que fica.

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