Sucre foi nossa segunda parada na Bolívia — depois de Santa Cruz de la Sierra e antes de La Paz. Parte de uma estratégia deliberada de aclimatação: subir a altitude gradualmente antes de chegar à capital mais alta do mundo. Mas Sucre não era apenas um ponto de parada. Era um destino em si mesmo — e nos surpreendeu muito.
Sucre: a capital constitucional da Bolívia
Sucre é a capital constitucional da Bolívia, a 2.800 metros de altitude. Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO desde 1991, a cidade impressiona pela arquitetura colonial preservada, pelas fachadas brancas imaculadas e pela atmosfera tranquila que contrasta com o caos de La Paz.
Chegamos de Santa Cruz de la Sierra pela Boliviana de Aviación. O voo é curto e eficiente. A altitude de 2.800 metros é perceptível — você sente o ar mais rarefeito, precisa caminhar mais devagar, e carregar Mathias no colo era mais cansativo que o normal. Mas nada grave. As crianças ficaram super bem.
Ficamos em Sucre por 4 noites justamente para aclimatar antes de La Paz. Funcionou perfeitamente — quando chegamos à capital, o corpo já estava adaptado. Se você vai a La Paz, considere passar por Sucre antes. O roteiro Santa Cruz → Sucre → La Paz é a forma mais inteligente de fazer a Bolívia em família.
Como chegar na Bolívia e em Sucre
Santa Cruz de la Sierra é a porta de entrada para quem vem do Brasil. É lá que chegam os voos internacionais. A Gol opera voos diretos saindo do Rio de Janeiro, e a Boliviana de Aviación tem voos regulares saindo de São Paulo e do Rio de Janeiro, algumas vezes por semana. O voo dura aproximadamente três horas. É muito rápido, muito tranquilo.
Nós saímos do Rio de Janeiro pela Gol, pernoitamos em Santa Cruz, e no dia seguinte pegamos um voo interno da Boliviana de Aviación para Sucre. O trecho Santa Cruz → Sucre dura cerca de 50 minutos a uma hora.
Brasileiros não precisam de visto para entrar na Bolívia e podem entrar apenas com o RG — desde que emitido há menos de 10 anos e em boas condições. Uma dica importante: leve o documento físico. Nem todos os países reconhecem aplicativos de identificação digital, e a Bolívia não é exceção. Seja como for, é mais um motivo para a Bolívia entrar na lista de destinos na América do Sul. Um país culturalmente riquíssimo, relativamente barato e com acesso simples para quem vem do Brasil.
A cidade a pé
Nosso estilo é sempre o mesmo: calçar um tênis confortável e sair andando sem roteiro fixo. Em Sucre isso funcionou muito bem. A cidade é compacta, segura, bem sinalizada. Passamos bastante tempo na Plaza 25 de Mayo — a praça central — que é o coração histórico da cidade. Tudo acontece ao redor dela: a Catedral, o Palácio Arzobispal, a Casa de la Libertad.
Fomos também ao Museo de Arte Indígena e ao Museo Nacional de Etnografia y Folklore (MUSEF). Os dois são interessantes e mostram aspectos da cultura boliviana que a gente não vê em outros lugares — têxteis, cerâmicas, rituais, indumentária indígena. O ritmo em altitude exige mais paciência.
Parador Santa Maria La Real
O Parador Santa Maria La Real é, por si só, uma atração. Um hotel antigo — construção da época espanhola — muito bem conservado, que mostra como era a arquitetura colonial boliviana em seu melhor estado.
O hotel que é atração à parte
Arquitetura e atmosfera
Entrar no Parador é como entrar numa outra época. O proprietário — que tem vínculos com o Brasil e nos recebeu de forma muito calorosa — manteve tudo com muito cuidado. No subsolo, há uma área decorada com peças antigas da época dos espanhóis, onde servem jantar. É um lugar que você explora com curiosidade genuína, não apenas como hóspede.
Os quartos
Quartos amplos, confortáveis, com aquela banheira grande que as crianças adoraram. Vicente e Mathias ficaram felizes de um jeito que só uma banheira de hotel consegue provocar — espuma até o pescoço e risadas a noite toda.
O rooftop: imperdível
O ponto alto do hotel — literalmente e figurativamente — é o rooftop. Tem um restaurante que fica sempre cheio de turistas, sobretudo à noite. O pôr do sol visto lá de cima é algo fantástico: você avista a cidade inteira, as torres das igrejas iluminadas, o céu cor de laranja sobre os telhados coloniais. As crianças conversaram com turistas alemães, a comida era muito agradável, e a atmosfera é daquelas que você não esquece.
Escolhemos pagar na acomodação — e o hotel não tinha máquina de cartão. O pagamento era feito por link, com uma taxa de serviço bem salgada: em torno de 20 a 30 dólares. Se for se hospedar no Parador, pague de forma antecipada ou leve dinheiro em espécie. Esse detalhe operacional destoa da qualidade geral do hotel.
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Parque dos Dinossauros: o passeio favorito das crianças
O Parque Cretácico de Sucre é um dos maiores atrativos da cidade — e um dos melhores passeios que fizemos em toda a Bolívia. As crianças adoraram. Muito bem feito, muito bem explicado, com pegadas reais de dinossauros preservadas e réplicas em tamanho real espalhadas pelo parque.
Para chegar lá, você pega o Dinobus na Plaza 25 de Mayo — um ônibus temático que faz um passeio pelos arredores da cidade até chegar ao parque. Já é parte da experiência. Vale reservar uma manhã inteira para aproveitar com calma.
O Dinobus sai da Plaza 25 de Mayo. Verifique os horários com antecedência — nem sempre coincide com o que você encontra na internet. Reserve uma manhã inteira: o parque é maior do que parece e as crianças vão querer explorar tudo.
Vale a pena com crianças?
Muito. Sucre é, provavelmente, a cidade mais fácil para se visitar com crianças em toda a Bolívia. A altitude de 2.800 metros é mais amigável que La Paz, a cidade é segura e caminhável, e o parque dos dinossauros garante um passeio de alto impacto para qualquer faixa etária.
O hotel em si já é uma experiência educativa — ver de perto como era uma construção da época colonial, explorar os corredores, perguntar sobre as peças antigas no subsolo. É o tipo de viagem que expõe as crianças a algo completamente diferente do cotidiano delas.
Um detalhe que nos marcou: as crianças já chegaram em Sucre falando algumas palavras em espanhol. Buenos días, muchas gracias, pequenos cumprimentos que foram se acumulando ao longo das viagens. Em Paris já saíam com bonjour, bonsoir, merci. É impressionante como a exposição a novas culturas e idiomas torna as crianças cada vez mais curiosas — e mais abertas. Não é ensinado. Acontece naturalmente, viagem após viagem.
Quanto tempo ficar
Quatro noites foi o tempo certo para o que queríamos — explorar a cidade, aclimatar para La Paz, fazer o parque dos dinossauros e aproveitar o hotel com calma. Se você for apenas para Sucre sem continuar para La Paz, três noites já são suficientes.
Voltaria?
Não — e por razões que já expliquei no relato de La Paz. Nossa filosofia é conhecer o máximo de países e continentes diferentes. A Bolívia foi incrível, valeu muito a pena. Mas o mundo é grande demais para repetir.
Dito isso, Sucre é genuinamente uma das cidades mais bonitas que já visitamos na América do Sul. Se você vai à Bolívia pela primeira vez, não pule Sucre. O Parador, o rooftop, o parque dos dinossauros, as ruas brancas — é uma combinação que funciona muito bem em família.
É a pergunta que todo mundo faz. Não fomos. Uyuni fica a mais de 600km de Sucre e, dentro do tempo que tínhamos para visitar o país, ir ao Salar consumiria muitos dias da viagem. Existe voo para Uyuni — o Aeroporto Internacional Joya Andina (UYU) — mas mesmo de avião a logística seria complicada e cansativa para as crianças. Fica para uma próxima vez. O Salar é um destino à parte, que merece um roteiro próprio.
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