A viagem ao Japão era um sonho que planejávamos havia bem mais de dez anos. Pela distância, pelo tempo no país e por tudo o que esse destino representava, decidimos nos permitir uma viagem menos econômica e priorizar bastante o conforto.
Isso apareceu especialmente na escolha dos hotéis. Em Tóquio, ficamos seis noites no início da viagem e outras três na volta, em duas hospedagens cinco estrelas, tradicionais e muito confortáveis: o Hotel New Otani Tokyo e o Imperial Hotel Tokyo.
Como é se locomover por Tóquio
O metrô de Tóquio é maravilhoso. Embora o mapa pareça complexo, as linhas têm letras, as estações são numeradas e o Google Maps informa plataforma, sentido e saída. Na prática, foi muito fácil circular pela cidade.

O desafio maior foi físico: no Japão se caminha muito. Não levamos carrinho porque Mathias, então com quatro anos e quase cinco, já não o usava no dia a dia e queríamos viajar com pouco volume. Acabamos alugando um, porque ele se cansava e pedia colo. Para famílias com crianças dessa idade, recomendamos levar um carrinho leve.
TeamLab, DisneySea e outros passeios
O teamLab Planets foi um dos grandes acertos. As instalações imersivas encantaram as crianças e os adultos.
Também passamos um dia na Tokyo DisneySea, mas subestimamos o calor de julho. Mesmo morando no Rio de Janeiro, sentimos muito o tempo quente e abafado. O parque é enorme e várias atrações tinham filas de cerca de duas horas e meia.
Visitamos o Senso-ji, um templo muito bonito, mas chegamos tarde e o encontramos lotado. Se voltássemos, iríamos bem cedo. Caminhamos também pelo imenso jardim do Palácio Imperial, lindíssimo, mas com longos trechos sem sombra — algo importante num dia muito quente.
Gostamos muito de Ginza, Shinjuku, Shibuya e Akasaka. Cada bairro tem personalidade própria e reforça a impressão de que Tóquio são várias cidades dentro de uma só.

Tóquio e a fotografia
O Japão me convidou a contemplar e despertou uma paixão pela fotografia que estava adormecida. Comprei uma Fujifilm durante a viagem e fui sozinho à Tokyo Tower no fim da tarde para fotografar a golden hour e a blue hour. Não subi pelas escadas. Como o tempo ameaçava chuva e eu queria voltar caminhando, retornei cedo ao hotel para não me molhar nem arriscar a câmera.
Hotel New Otani Tokyo
Hotel New Otani Tokyo
O New Otani é um hotel cinco estrelas tradicional, muito bem localizado e a poucos minutos a pé da estação Akasaka-mitsuke. Depois de uma viagem tão longa, sua estrutura e seu conforto ajudaram muito na adaptação.
Nosso quarto era muito amplo. Tinha antessala com sofá, estação de trabalho e televisão, permitindo que alguém ficasse acordado sem atrapalhar quem estivesse dormindo. Havia uma segunda televisão na área das camas, que eram extremamente confortáveis.
O quarto também tinha uma pia fora do banheiro e outra dentro, banheira de hidromassagem, produtos de skincare, itens para barbear, hidratantes e pijamas muito confortáveis.
Experimentamos dois cafés da manhã. Um ficava no 40º andar, com vista extraordinária de Tóquio e seleção variada de pratos japoneses e ocidentais. O outro, no térreo, tinha vista para o jardim japonês. Com caminhos, lagos e cachoeira, o jardim é uma atração por si só.


Imperial Hotel Tokyo
Imperial Hotel Tokyo
Na volta, ficamos três noites no Imperial Hotel, outro cinco estrelas repleto de história e tradição. O famoso edifício projetado por Frank Lloyd Wright foi inaugurado em 1923 e resistiu ao Grande Terremoto de Kantō daquele ano; a construção atual preserva essa memória do hotel.
O quarto tinha excelente tamanho e era extremamente confortável. O hotel oferecia várias opções de café da manhã e uma piscina no 20º andar, onde as crianças se divertiram muito. Não fizemos imagens da piscina para respeitar a privacidade dos hóspedes e as orientações do local.
O atendimento ficou marcado por uma história pessoal. Ao fazer o check-in, descobri que meu celular havia escorregado do bolso no táxi. Como eu guardara o recibo, a equipe entrou em contato com a empresa, localizou o motorista e acompanhou tudo até a devolução. Depois, levaram o aparelho ao nosso quarto. Foi um cuidado impecável num momento de grande aflição.


Comer em Tóquio com crianças
Comemos maravilhosamente bem e encontramos restaurantes para diferentes gostos, bolsos e restrições. Mathias tinha muita sensibilidade alimentar e não comia peixe, carne nem frango, mas isso não se tornou um problema. Há culinária japonesa e internacional em enorme variedade; ninguém precisa imaginar que uma viagem ao Japão será feita apenas de sushi e sashimi.
Quantos dias ficar?
Recomendamos no mínimo cinco dias, sabendo que a cidade não se esgota. O fuso horário levou de quatro a cinco dias para deixar de pesar. No segundo dia, todos dormimos às três da tarde porque simplesmente não aguentávamos mais.
Uma estratégia possível é chegar, dormir uma noite em Tóquio e seguir para outra cidade, deixando a exploração da capital para quando o corpo estiver adaptado.
Voltaria?
Sem dúvida. Tóquio é como Nova York ou Paris: pode-se voltar todos os anos e ainda descobrir algo novo, especialmente na gastronomia. É também excelente para crianças, com parques, lojas e muitas atividades. Queremos voltar no inverno para conhecer outro Japão.